A mulher e a plenitude sexual

Muito se tem falado sobre o empodeiramento feminino e a capacidade de realização das mulheres no mundo. Sua sexualidade não poderia estar separada dessa discussão, mas na prática, o que se observa é muito pouco conhecimento sobre o assunto. Poucas mulheres têm noção de sua própria anatomia, seus ciclos e sua sensorialidade. Esses conhecimentos não poderiam ser dissociados de sua satisfação sexual, e de uma sexualidade mais vital e mais plena. Em combinação com a filosofia do Tantra, a sexualidade feminina pode se utilizar da orientação dos chakras e da elevação espiritual, para que a plenitude e satisfação real de sua sexualidade aconteça. Neste post, abordaremos 05 tópicos que são pontos-chave para ajudar a entender melhor a satisfação feminina.

 

Anatomia Sexual

Ciclos Femininos

Capacidade Sensorial

Orientação dos Chakras

Conexão Espiritual

Anatomia Sexual

Você sabia?

  • O clitóris tem entre 3000 e 5000 terminações nervosas, todas dedicadas ao prazer, ligadas a outros centros de prazer por todo o corpo.

 

  • O capuz clitorial está ligado aos bulbos do clitóris, que residem no interior do corpo e torna-se inchado e ereto quando a mulher é sexualmente excitada. O capuz também faz junção com os lábios vaginais, tanto interiores e exteriores, que também se dilatam e ficam eretos durante a excitação.

 

  • Contrações do orgasmo acontecem no interior da Yoni (vagina), mas a intensidade pode variar, dependendo do grau de excitação e prazer pelo corpo todo, dando origem aos termos: “Orgasmo clitoriano localizado” em contraposição ao “Orgasmo por todo o corpo”.
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  • Em geral, as mulheres precisam de um mínimo de 20 minutos de estimulação sensual e sexual para “aquecer” e, assim, chegar a um limiar a partir do qual o orgasmo sexual se torna possível.

 

  • Após orgasmo sexual, em geral, uma mulher permanece num estado pleno, pronta para mais orgasmos, durante pelo menos 20 minutos.

 

  • As mulheres são capazes de experimentar orgasmos múltiplos (um orgasmo seguido de outro num ininterrupto fluxo de êxtase), bem como orgasmos em cadeia, (um orgasmo após o outro com pequenos espaços entre eles.)

 

  • A Yoni de uma mulher não é muito sensível a menos que ela esteja muito excitada. Isto é porque é o canal de parto, e se fosse tão sensível como no clitóris e nos bulbos do clitóris, seria insuportável dar à luz a um bebê.

 

  • Quando a mulher está muito excitada, a Yoni alonga e expande-se, e desperta o desejo de ser penetrada.

 

  • A Yoni é flexível de modo que se ajusta ao tamanho do Lingam (pênis) que está penetrando-a, dentro das proporções anatômicas de ambos os parceiros.

 

  • A forma como uma mulher deseja ser estimulada sexualmente, ou para estimular a si mesma, deriva de como ela aprendeu a sentir prazer sexual. Isso significa que na grande maioria dos casos, seu prazer sexual é da forma como “treinou” a vida toda para responder a um orgasmo. Isso no entanto, é modificável, aprendível e ampliado, da mesma forma, com o treino.

 

  • Uma mulher é capaz de orgasmos múltiplos em seus 90 anos.

 

É muito comum observar ainda hoje, em nosso espaço que muitas das mulheres tem dificuldades em atingir o orgasmo ou até mesmo nunca atingiram. Seja pelo desconhecimento do próprio corpo, seja por experiências traumáticas no passado, seja por alguma disfunção sexual, seja por idéias pré-concebidas de que o orgasmo tem que ser como nos filmes pornográficos. As razões são diversas, mas o que as impede de reverter esse problema, muitas vezes, é a vergonha em se abrir para seu companheiro ou em buscar ajuda para isso. Estima-se que mais de 50% das mulheres já fingiu ou finge ter orgasmo em suas relações sexuais.

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Muito do abismo do conhecimento sobre o prazer ligado à anatomia feminina tem raiz no passado. Freud, por exemplo, contribuiu com esse abismo quando fez uma declaração errada que não tinha base em fatos científicos. Segundo ele, existem dois tipos de mulheres, as “infantis” e as “maduras”. Ele afirmou que a “mulher infantil” precisa de estimulação do clitóris, a fim de orgasmo, enquanto os orgasmos da mulher “madura” ocorrem da penetração, somente. Ainda hoje, esta afirmação errônea têm reflexos na concepção das mulheres com relação ao seu próprio orgasmo.

 

Foi apenas quando Masters e Johnson testaram cientificamente essa afirmação, em um estudo clínico, que a afirmação de Freud foi contestada. Eletrodos foram colocados em mulheres que disseram alcançar o orgasmo somente pela penetração, e suas respostas sexuais foram cuidadosamente monitoradas enquanto elas estavam em relações sexuais. Verificou-se em cada caso que as mulheres foram estimuladas ativamente em seu clitóris, através da fricção do Lingam sobre o clitóris, ou seja, estimulando-o através do atrito no ato sexual.

 

Mais tarde, ainda, foi verificado na pesquisa inovadora de Masters e Johnson, que os três elementos – excitação do clitóris, nervo sacral, e contrações vaginais também são necessários para o orgasmo feminino acontecer.

 

Na sociedade Ocidental, até 1900, desconhecia-se que as mulheres eram capazes de terem orgasmos. Era inclusive de praxe afirmar que as mulheres elegíveis ao casamento eram aquelas que não gostavam de sexo e, simplesmente, encarava-se como uma tarefa afim de agradar seus maridos ou como finalidade procriativa. Considerava-se que mulheres que tinham prazer através do sexo eram as prostitutas. O pensamento de que as mulheres não têm direito ao prazer sexual e destinam-se a ter relações sexuais para agradar apenas seu parceiro, era bastante comum até a geração passada, sendo ainda o pensamento dominante em algumas sociedades.

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É difícil acreditar, nesse contexto, que houve grande transformações na prática, dentro do período de uma geração. Quando o movimento feminista começou, a direção que muitas mulheres tomara, por não estarem conscientes de sua própria capacidade para o prazer, foi o de negar a sua natureza feminina, copiando os homens e a competir com o sexo oposto. A verdade é que sexualmente, o resultado é desastroso. A forma de prazer sexual das mulheres é oposta à dos homens. São energias complementares. As religiões também contribuíram para acentuar o abismo entre o conhecimento e a sexualidade, além de trazer a culpa sobre o prazer sexual. A idéia destrutiva proposta por algumas tradições religiosas é de que a realização espiritual só é possível quando se nega o sexo.

 

Apesar da abertura sexual e da disseminação de uma cultura onde a sociedade é “sexualmente livre”, o modelo vendido sobre o sexo ainda é muito pobre, baseado na pornografia e no culto a imagem de corpos perfeitos, de capas de revistas, com chamadas sobre desempenhos sexuais alucinantes. Quando se confronta com a realidade, as expectativas certamente serão frustradas, gerando altas doses de ansiedade sobre o desempenho sexual e o papel e modelo a se seguir dentro de uma relação. A mulher ainda tem muito pouco conhecimento sobre seu potencial de prazer e muitos lugares têm vendido gozadas múltiplas seguidas, geradas por estímulos excessivos e desgastantes sobre genital feminino como se Tantra para mulheres se resumisse a isso.

Ciclos Femininos

A mulher carrega em seu ventre a possibilidade de criação da vida. E essa capacidade se renova a cada ciclo menstrual. Se não estiver tomando nenhum contraceptivo que modifique ou altere seu ciclo natural, as mulheres estão conectadas dia a dia com essa realidade natural do ciclo de vida. Seu o revestimento do útero, os níveis hormonais, a ovulação, o fluxo menstrual são renovados e sofrem alterações a todo momento.

 

Esse ciclo varia de acordo com cada mulher, de acordo com sua própria biologia. É importante observar como ela se adapta e responde às suas variações hormonais. São os hormônios que regulam seu sono, sua disposição, seu metabolismo, seu humor, suas emoções e seu desejo sexual. Torna-se impressindível que a mulher aprenda a reconhecer seu próprio ciclo, suas particularidades e como respeitá-lo.

 

Desequilíbrios dentro do ciclo são indicações de algum desbalanceamento químico, físico ou emocional. Estar atenta aos seus próprios sinais, faz com que a mulher seja capaz de alterar seus próprios estados de humor e da própria saúde, possibilitando-a alcançar um conhecimento maior sobre sua própria sexualidade. É possível afirmar que o seu potencial orgástico completo está intimamente ligado à forma como esteja conectada com seu próprio ventre, com os seus ciclos de vida e com o seu ciclo menstrual mensal.

 

O Tantra é uma filosofia matriarcal, centrada na energia do feminino, no ato de receber. O mais profundo êxtase no orgasmo surge quando seu centro vital esteja totalmente aberto, isto é, seja capaz de se entregar e esteja confiante com o que possa vir a receber. E para isso que isso aconteça é preciso aprender a ouvir e respeitar o seu próprio ciclo.

Capacidade Sensorial

Para serem sexualmente satisfeitas, as mulheres têm uma necessidade sensorial bastante diferente dos homens. A maioria dos homens é visual, e sua capacidade excitatória está muito ligada ao sentido da visão. As mulheres não costumam funcionar dessa forma. É óbvio também que tudo isso foi aprendido e condicionado ao longo da vida, e que da mesma forma, pode ser modificado e alterado com a disponibilidade do aprendizado e treino. Mas no geral, as mulheres têm necessidades diferentes para despertar-se ao desejo sexual.

 

Essas necessidades variam de mulher para mulher, mas pode-se afirmar que a energia do feminino precisa de acolhimento e de proteção. Muito embora, o empodeiramento feminino esteja resgatando sua força e a independência das mulheres, isso não significa negar necessidades básicas do gênero e importantes para a saúde do seu feminino. Estar vulnerável ou se permitir estar neste estado, não significa ser mais fraca ou impotente. Muito pelo contrário, ao permitir-se reconhecer suas necessidades, a mulher pode permitir ser acolhida e aprender a ficar receptiva às energias do masculino.

 

Para que se desperte o desejo sexual na mulher, seu sentido cinestésico precisa ser muito levado em conta, seja através de toques, do carinho, da segurança, e de sensações de todos os tipos. Claro que, as mulheres também têm desenvolvidos os sentidos visuais, auditivos ou olfativos, mas para entrar em contato com a sexualidade, precisam se sentir confortáveis e seguras com seu parceiro para que a fluidez emocional aconteça e ela possa se entregar ao prazer sexual.

 

Durante o ato sexual, quando o centro vital de uma mulher se abre, ela terá uma tendência de rir ou chorar. Este é um sinal de que sua Yoni está aberta e pronta para a penetração. É comum que a mulher chore quando ela atinja o clímax e, infelizmente, isso acontece muitas vezes, ao final do ato sexual e não no início. Para que o sexo se torne mais gratificante, ela precisa abrir seu fluxo emocional antes da penetração. Isso pode acontecer muito facilmente, com a ajuda do parceiro com o seguinte exercício: peça para que ele coloque as mãos relaxadas em sua barriga e apenas esteja presente com as mãos sobre seu útero. Dentro de 05 a 10 minutos, você provavelmente irá rir ou chorar, e este é um sinal de que a abertura está acontecendo.

Orientação dos Chakras

São sete os principais chakras, e por si só geram uma vasta discussão. Em resumo, a noção de chakras faz parte do Tantra, para o qual a Kundalini (energia vital sexual), deve ser despertada e subir através deles, ativando-os. Dispostos desde a base da coluna vertebral até o alto da cabeça, cada chakra corresponde à uma das sete principais glândulas do corpo humano. Cada um deles está em estreita correspondência com certas funções físicas, mentais, vitais ou espirituais. Num corpo saudável, todos esses vórtices giram em harmonia, permitindo que a energia vital flua para cima por intermédio do sistema endócrino. Mas se um desses centros começa a diminuir a velocidade de rotação, o fluxo de energia fica inibido ou bloqueado – e disso resulta o envelhecimento ou a doença.

 

Notando quais as dores crônicas, ou disfunções do nosso corpo, podemos entender quais centros energéticos precisam de maior equilíbrio. Esta é uma possibilidade de analisarmos quais emoções ou atitudes estão possivelmente relacionadas a este incômodo, que também podem ser percebidas através da tensão ou falta de conexão corporal.

 

Uma fator muito importante para a mulher ser sexualmente realizada é ela despertar para suas polaridades positivas no sistema de chakra. Ela precisa estar completamente segura e plena em seu segundo chakra, sua sexualidade, onde reside o útero. Ela precisa alimentar sua capacidade de amor incondicional no quarto chakra, o centro do coração. Sua capacidade de amar e confiar reside aí. E ela precisa aprender a abrir e usar sua intuição situada no sexto chakra (terceiro centro de olho). Quando isso acontece, significa que ela está aberta, vulnerável e diposta a se entregar. Seus centros estarão receptivos, para receber toda potencialidade de sua sexualidade.

 

Quando o contrário acontece, quando nos sentimos impotentes, ou bloqueamos de alguma forma nossa energia para o nosso parceiro, impedimos também a nossa própria realização sexual. Estar desperta para o poder e o potencial de seus chakras, significa estar pronta para absorver os presentes dados pelo princípio masculino e viver sua plenitude sem culpa. É importante enteder que toda essa abertura não acontece por meio de mágica. Para estar plena em sua sexualidade, em sua capacidade de amar e confiar, e em seu potencial espiritual, a mulher pode aprender a trabalhar e abrir sua fluidez de todos estes pontos, através da ajuda da terapia tântrica.

Conexão Espiritual

A energia da vida reside dentro da mulher. É ela quem é capaz de gerar e nutrir uma vida em seu ventre. O poder da mulher está em sua capacidade de transformar a energia do sexo em amor e assim irradiar e transcender no amor cada aspecto da vida.

 

Durante o orgasmo, foi descoberto por cientistas que o cérebro da mulher se deliga completamente, para o estado chamado de no mind, onde a mente desaparece, assim como a noção do tempo, o passado ou o futuro. Quando uma mulher está para atingir o êxtase do orgasmo, ela pode facilmente acessar esse estado e alcançar o que se conhece no Tantra como Mahamudra, que significa “união e transcendência do orgasmo ao universo”. O orgasmo de uma mulher pode ainda ser tão poderoso que ele pode impulsioná-la em Samadhi, a consciência universal. Essa conexão espiritual poderosa é o potencial que reside na capacidade feminina do prazer, e que pode ser atingido quando vivido plenamente em sua sexualidade, sem tabus, medos ou bloqueios. Esse potencial pode ser transcendido e então se converter em amor total, que é a essência do Tantra.

Alguns pontos deste texto foram baseados no texto de Mahasatvaa Maa Ananda Sarita, em Paradigm Shift (Nov-Dez 2010)

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